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Em noite fria, na solidão da rua
Envolto em sombras, a despeito da lua
Uma criança apenas e quantas penas
Por onde andam José e Maria?
Onde se esconde, estrela-guia ?
Jornais em folhas por colchão e coberta
Das manchetes, o recheio...
Papelão em teto e parede disposto
Mãos em concha a lhe esconderem o rosto
Dedos entreabertos, uma fresta...
Revelam o que no olhar se encerra:
Desesperança e medo
Dos pares e dos cem pares de passos
Que o seu coração dispara
Se seguem ou se param...
Menino acuado
Na mente as marcas de cenas acumuladas.
Sua sorte, à calçada lançada.
Por alimento o choro engolido a seco.
Nas ruas é preciso ser forte, a qualquer preço...
No tremor do corpo frágil, o único afago...
Recorre, na ausência de abraços, ao balanceio...
Deslizando o polegar de encontro à boca,
Faz do chão o seu berço.

~ Por Carmen CLTS ~



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